CD-ROM (Compact disc read only memory)

O CD-ROM, antecessor do CD-i, é considerado como uma unidade de armazenamento e leitura periférica ao computador, mesmo quando instalada no corpo da máquina. Ela mais não é que uma drive suplementar, ao nível da unidade de disquetes, ou de um segundo disco rígido, mas sem possibilidades de gravação de dados. Dado que existe a noção falsa de se considerar que para uma máquina ser considerada multimédia basta adquirir um CD-ROM, é necessário analisar os diversos tipos de unidades de armazenamento de dados a fim de precisar vantagens e desvantagens deste género de suportes físicos.

Os sistemas periféricos de computadores oferecem uma panóplia de unidades de armazenagem de informação, dos quais se destacam os discos magneto-ópticos, as fitas de gravação HI 8, as fitas DAT, as disquetes, as fitas magnéticas de salvaguarda de dados e os CD-ROM.

Este último impõe-se aos restantes pelo preço inferior da sua unidade de leitura e pelo tempo de acesso à massa de informação nele contida. A sua desvantagem maior é ser uma unidade WORM, ou seja, uma escrita e múltiplas leituras, muito embora as unidades de leitura da última geração já possibilitem gravações sucessivas em unidades específicas para gravar CD's, até se esgotar a capacidade do disco que é de 600 Mo. As outras unidades de armazenamento e gravação de dados, ou têm unidades de leitura com preços muito superiores, ou são lentos no débito de informação, muito embora possam ser úteis como unidades de salvaguarda.

O CD-ROM foi uma unidade de armazenamento e leitura inventada nos laboratórios da Philips há onze anos. As suas normas estão inscritas no Yellow Book, obra de referência para quem necessite de trabalhar com este tipo de suporte físico. Também neste âmbito há várias hipóteses de escolha no que à unidade de leitura diz respeito. Essas hipóteses estão relacionadas com tempo de acesso e capacidade de débito de informação.

Existem vário níveis de débito: 150 Kilobytes/s para os leitores de velocidade linear (completamente ultrapassados), 300 Kb/s para os de velocidade dupla (compromisso por enquanto admissível), 450 Kbs/s para os de tripla velocidade e 600 kb/s para os de quádrupla velocidade. Quanto aos tempos de acesso à informação mapeada no disco, os fabricantes anunciam valores entre os 150 e os 400 milisegundos. Na realidade, estes tempos de acesso são lentos quando comparados com os do disco rígido. Esta lentidão tem a ver com o posicionamento das cabeças de leitura: quanto mais próximas elas estiverem da superfície, quanto mais esta estiver protegida de impurezas, tanto mais rápido é o tempo de acesso à informação mapeada. Os discos rígidos são mais rápidos que os CD-ROM no acesso e débito de informações porque estão protegidos em caixas estanques a impurezas e têm as cabeças de leitura próximas da superfície.

A superfície do CD-ROM é constituída por uma série de orifícios os pits, separados por espaços a que se convencionou chamar lands. O conjunto dos pits e dos lands estão organizados em forma de espiral, a pista. Para reduzir ao mínimo a hipótese de erros, susceptíveis de prejudicarem a aplicação, o CD-ROM possui dois modos de registo de dados: o MODO 1 permite atingir a ordem estatística de 1 erro por um milhão de informações. Porém, este modo apenas autoriza a gravação de informação sobre 2048 de um total de 3234 sectores disponíveis. O MODO 2 tem uma capacidade de armazenagem maior e a ordem estatística de erro é superior: 1 erro em cada 100 megabytes.

O débito de informação em MODO 1 é de 150 Ko/s e em MODO 2 é de 171 Ko /s. Estes valores podem ser melhorados em função das novas unidades de velocidade dupla, tripla, quádrupla, ou sêxtupla. A capacidade máxima de armazenagem de informação do CD-ROM está compreendida entre os 527 e os 742 Mo, dependendo do modo de registo escolhido.

Prevê-se que dentro de algum tempo o CD-ROM venha a ser substituído pelos discos de leitura óptica de alta densidade DVD.

Excerto extraído da obra Multimedia on / off -line, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997