COMPUTADORES MULTIMÉDIA
Até há cinco anos existiam vários fabricantes com arquitecturas e sistemas operativos diversificados. Hoje restam apenas dois: o Macintosh da Apple e os compatíveis PC (Personal Computer), hoje MPC, com mais de uma centena de marcas distintas. Segundo a lei de Moore todos os dezoito meses duplica a capacidade de processamento dos microprocessadores.
Qual o melhor para fruir e trabalhar na área multimédia?
O Macintosh da Apple pela seriação de qualidades que a seguir se resume:
1. - tem uma interface tão eficaz como o Windows, mas mais fácil de utilizar; 2. - a estandartização de componentes evita os problemas de configuração e compatibilidade que surgem com frequência nos PC's, sempre que é necessário instalar uma placa adicional; 3 - os periféricos necessários às operações multimédia (placas digitais de som e de video digital, CD-ROM ) foram instalados na fábrica, bem como parte dos programas; 4 - o custo das configurações, comparado com os PC's, é sensivelmente o mesmo para máquinas de gama média, muito embora no topo da gama um compatível PC ainda custe 50% menos que o seu equivalente MAC.
Face a este conjunto de vantagens poder-se-à sentir perplexidade ao saber que em cada dez computadores existentes apenas um é Apple Macintosh. Esta marca pagou o preço do elitismo, assumido durante mais de dez anos, ao colocar os preços das máquinas e dos programas muito acima dos que são praticados pelos fabricantes de PC's, política que só muito recentemente abandonou. Além disso, ao decidir não licenciar a patente da máquina e do sistema operativo, a Apple foi actriz principal de um monólogo que durante mais de dez anos debitou a solo. Hoje, face às novas realidades da concorrência, a firma fundada por Steve Jobs não só desceu os seus preços para níveis semelhantes aos dos PC's (excepção feita à sua gama alta, como acima se observou), como também decidiu muito recentemente licenciar as patentes de fabrico de máquinas e sistema operativo. A aliança e a aproximação com a I.B.M. é uma tentativa de diálogo entre dois mundos informáticos que têm vivido de costas voltadas um para o outro com prejuízos para os utilizadores que dificilmente conseguem dialogar através dos produtos realizados com as respectivas máquinas. A criação artificial de dois campos distintos não tem facilitado nem o diálogo, nem a migração das aplicações multimédia, muito embora alguns produtos da área CD-ROM estejam agora a ser divulgados em simultâneo nas normas PC e MAC.
A política da I.B.M. ao decidir licenciar urbs et orbis a patente de construção de computadores, democratizou e massificou a arquitectura dos PC's. A competição entre firmas americanas, europeias e do sudeste asiático na criação de clones foi um factor relevante na queda progressiva de preços com os benefícios daí decorrentes para os consumidores.
Excerto extraído da obra Multimedia on / off-line, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.