DVD

DVD é o acrónimo que identifica um novo disco óptico para servir de suporte multimédia. Esta designação, que ainda não está estabilizada (Digital Video Disc ou Digital Versatile Disc), é o produto da fusão entre duas normas que se confrontaram até Novembro de do ano passado. As multinacionacionais Philips/Sony e Toshiba lideraram dois cartéis que se digladiaram para impor normas proprietárias. Aliaram-se finalmente, sob a pressão de fabricantes de computadores e anunciaram para o final deste ano a comercialização do novo disco.

Na perspectiva do consumidor este anúncio será aparentemente igual a muitos outros que anualmente são lançados no mercado, sem que o valor anunciado corresponda a um real valor acrescentado. Porém, hoje constata-se que os formatos actuais de discos compactos possuem um denominador comum redutor: a capacidade do suporte físico demonstra a sua progressiva insuficiência face às exigências crescentes das aplicações multimédia. Os 600 ou 650 Mbytes de espaço disponível no CD são escassos para o desenvolvimento de um número crescente de aplicações. O caso mais flagrante acontece com o formato Vídeo-CD, que necessita de um álbum duplo para arquivar um filme de longa metragem.

A constatação da insuficiência conduziu ao anúncio simultâneo de dois novos formatos: HDCD (High Density Compact Disc) e SDCD (Super Density Compac Disc). Ambos intentaram transformar-se em norma da indústria mundial e foram suportados por cartéis muito poderosos.

O HDCD foi liderado pela dupla Philips/Sony, que esteve na origem do conceito de disco compacto e foi apoiada neste novo produto pela J.V.C., Aiwa, Bang and Olufson, Grundig, Magnavox, Marantz, Columbia Pictures, TriStar Pictures e Sony Picture Classics. O SDCD foi liderado pela Toshiba e integrou no seu grupo de apoiantes a Matsushita, a Pioneer, a Hitachi, a Thomson, a Time Warner, a MCA e os estúdios MGM/United Artists. A enunciação dos participantes nesta batalha pela supremacia industrial e comercial no mercado planetário de CD's demonstra a amplitude de valores em jogo.

Algumas multinacionais da área informática não alinharam, nem tomaram partido por qualquer um dos campos em confronto. A I.B.M., a Apple, a Compacq, a Hewlett-Packard e a Microsoft declararam não apoiar nenhuma das normas, na expectativa de que ambas chegassem a um acordo conducente à adopção de apenas um formato que contivesse o melhor das duas soluções.

Novidades do D.V.D.

  1. Este grupo definiu um caderno de encargos com nove exigências técnicas e de marketing que configuram o futuro do suporte físico da multimédia para lá do ano 2000
  2. uma norma única compatibilizando as aplicações desenvolvidas para televisor e computador
  3. retrocompatibilidade com os discos compactos existentes, CD-ROM, CD-i, CD+G, etc
  4. compatibilização com os discos que admitem leitura e gravação, bem como com os que só admitem uma escrita para múltiplas sessões de leitura
  5. um sistema comum de ficheiros para: a) conteúdos de aplicações desenvolvidas para computador e televisor; b) discos que admitam apenas a leitura, a gravação e a leitura, assim como outras possibilidades combinatórias
  6. custos de produção baixos, comparáveis ao CD-ROM corrente, para volumes iguais de produção e comercialização
  7. inexistência de contentor mandatário, seja cartuxo ou caddie, a fim de permitir a utilização dos sistemas de mudança de discos
  8. sistema de grande fiabilidade para arquivo e pesquisa de dados em que o número de erros não corrigidos seja igual ou inferior ao da tecnologia de disco compacto corrente
  9. alta capacidade para sustentar pesquisas e acessos on-line
  10. excelente performance de débito tanto para ficheiros sequenciais (exº filmes), como para ficheiros não sequenciais (exº acesso aleatório a informação informatizada).

Os nove «mandamentos» acima transcritos declinam o essencial das expectativas de quem desenvolve aplicações multimédia. O DVD, finalmente normalizado segundo os pressuposto acima definidos, tem capacidade para 133 minutos de vídeo com qualidade MPEG2. Três formatos de imagem são possíveis: 16/9, Pan e Scan, assim como o Letter Box. O suporte admite ainda uma banda sonora com oito faixas podendo ser utilizadas para versões em outros tantos idiomas e ainda 32 áreas de legendagem.

O sucesso ou o insucesso deste novo suporte da multimédia off-line baseia-se na adesão multinacional ao formato (até agora 55 fabricantes anunciaram a intenção de produzir leitores e software), no preço a que vai ser comercializado, bem como na resposta de um mercado um tudo nada saturado por novidades anunciadas com pompa e circunstância mas que cedo são descontinuadas com ligeireza e descrição.

Excerto extraído da obra Multimedia de A a Z, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.