História breve da Internet

O início do projecto de investigação que viria dar origem à Internet data de 1969 e iniciou-se no departmento de projectos Arpa, do exército americano. O seu objectivo consistia em ligar entre si por um mesmo sistema de transmissão computadores dedicados à investigação. O projecto recebeu a designação do seu local de origem a que se acrescentou o sufixo net: Arpanet.

As primeiras demonstrações do protótipo Arpanet iniciaram-se em 1971 e o que de essencial hoje resta consiste na tecnologia de transmissão de dados por pacotes. É hoje consensual admitir que o conceito da Internet foi criado em 1973 pelos cientistas Vint Cerf e Bob Kahn ao proporem a interconectividade das redes isoladas através da imposição de uma linguagem comum que seria compreendida pelas passarelas de cada sistema a fim de permitir a distribuição de pacotes e informação de rede em rede. A linguagem comum adoptou as designações de I.P. (Internet Protocol) e o TCP (Transfer control protocol), cujas primeiras versões foram publicadas em 1978 e estabilizadas em 1981.

Modus Operandi

O objectivo principal da Internet condensa-se em poucas palavras: transmitir dados o mais rapidamente possível num modelo optimizado de interconecção de sistemas de redes. A inteligência do sistema não se encontra alojada no centro, mas na periferia. É esse o princípio do protocolo Internet, que define os seus serviços. É o computador do utilizador que prepara a mensagem decupada em segmentos de informação que contêm, tal como os envelopes do correio tradicional, as coordenadas do remetente e do destinatário. É ainda o computador pessoal que submete a mensagem à rede: esta é suposta escolher o caminho mais curto para «levar a carta a Garcia». Porém, se acontecerem avarias no caminho, a inteligência da rede calcula instantanemente outros trajectos a fim de que a mensagem não se perca. Os vários segmentos de informação que compõem uma mesma mensagem podem adoptar trajectos diferentes para chegar ao seu destino. Em pontos específicos da rede eles são colocados em listas de espera, tal qual como nos terminais das autoestradas. O cálculo das melhores direcções, bem como a gestão das listas de espera é a função dos routers, computadores que, como atrás foi enunciado, têm a função de encaminhar os segmentos informativos de uns para os outros, escolhendo igualmente as melhores rotas para se cumprir o trajecto. Ao chegar ao destinatário, as unidades mínimas da mensagem são recompostas na sua versão original. Cada router vigia o comportamento do seu parceiro mais próximo a fim de fazer passar a comunicação e também para detectar anomalias. Os «protocolos de endereçamento», os formatos das mensagens e o algoritmos de cálculo velam pelo bom funcionamento do sistema. Cada uma das redes que integram a Internet é considerada como um organismo autónomo e deve utilizar o seu protocolo de endereçamento para manter a conectividade interna. Ao ser estabelecida a ligação entre as pequenas e as grandes redes intervém um outro protocolo que, ainda segundo Huitema, se designa de «endereçamento exterior, que assume o cálculo dos custos, dos acordos comerciais e dos contratos entre parceiros».

Bob Kahn criou o neologismo «datagrama», decalcado sobre o conceito telegrama, para caracterizar os pequenos segmentos de informação que transitam na rede à velocidade da luz.

Este é um dos pontos fortes da Internet, que permite o seu crescimento exponencial e, simultaneamente, a segurança das comunicações reside na interconecção de sistemas de redes - e não a sua transferência por circuitos dedicados, conceito caro às administrações Telecom.

O datagrama é a unidade mínima de um puzle que pode conter vídeo, audio, textos e, ultimamente, conversas telefónicas em directo, o que permite, por exemplo, telefonar de Lisboa para Nova Iorque pelo custo de uma chamada local. Esta novidade Internet é simples de pôr em funcionamento, desde que os dois utilizadores em rede disponham de um microfone e de uma placa de som específica instalados em cada computador pessoal, aos quais se adiciona software específico, disponível na rede.

A novidade tem suscitado comentários exaltados e vãs proibições dos monopólios das telecomunicações, para quem a democratização e o abaixamento de custos das tarifas telefónicas é um tabu até agora ciosamente guardado.A relação entre os monopólios e o espírito de cooperativo comum aos utilizadores da Internet será objecto de análise na secção destinada à política da rede.