História breve do CD-i sobre Lisboa
O disco compacto interactivo sobre a cidade de Lisboa foi uma encomenda da Philips Media ao C.I.T.I.. Figura como título número dois do catálogo City Portraits, cuja primeira edição foi Veneza.
O desenvolvimento da aplicação decorreu entre Março de 1991 e Agosto de 1993. Foi a primeira publicação multimédia CD-i realizada e comercializada em Portugal. Dado o seu caracter pioneiro teve um processo de produção sui generis: foi evoluindo ao ritmo que chegava do estrangeiro parte do equipamento tecnológico do Centro e, consequentemente, à medida que se concretizavam as etapas da investigação sobre multimédia, nas componentes teóricas e práticas: concepção, design, interface, modelização interactiva, e tecnologia CD-i. A investigação fundamental que se realizou sobre a área teórica (princípios, conceitos, modelos) confrontou-se com com a experimentação no domínio das modalidades de participação, de novas máquinas, programas e respectivos meios de operação e esta metodologia foi em boa parte determinante do ritmo de produção.
Foi preocupação dominante transmitir o saber experimental a um grupo inicial de quatro estudantes universitários que adquiriram formação enquanto participavam na elaboração do projecto. O binómio ensino/aprendizagem realizou-se globalmente nesta experiência, dado que aprender e ensinar para participar num trabalho/projecto concreto foram duas faces da mesma moeda e o processo de investigação evoluiu numa permanente tensão: saber teórico e experimentação confluíram num objectivo muito concreto. De algum modo, o disco sobre Lisboa foi, neste contexto, o cadinho de algumas experiências sobre educação e multimédia.
A aplicação tem um total de duas horas e quarenta minutos de sequências audiovisuais: 1600 fotografias agrupadas em 81 sequências com som e imagem fixa, 6 vídeos e um conjunto de cerca de 100 páginas de texto.
Excerto extraído da obra Multimedia on / off-line, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.