Microprocessadores para sistemas multimédia
A capacidade do microprocessador é um dos argumentos que define o poder da computação. A evolução registada desde o início da década de 90 até à sua segunda metade caracteriza-se pelo aumento continuado do poder de processamento.Hoje o Pentium é uma realidade de mercado e os seus sucessores já têm crónica de vida anunciada com decuplicação de capacidade de processamento de cinco em cinco anos. A comercialização de unidades centrais de processamento propõe a substituição periódica deste componente, dado que desde meados da década de 90 já não é necessário substituir toda a máquina, mas apenas o processador. Porém, em países com menores recursos económicos torna-se muito difícil acompanhar a rapidez da mudança. Em Portugal, a regra é a existência de um parque de máquinas com processadores desactualizados. Na maioria dos casos é necessário aguardar que o preço da novidade se desactualize (depois de 12 meses o custo chega a baixar mais de 50%) a fim de se poder aceder economicamente ao equipamento cuja emergência é acompanhada por novas versões de programas com exigências crescentes.
O poder de um computador mede-se pela sua capacidade de processar informação, pela existência ou não de co-processador aritmético, que lhe permite realizar cálculos com vírgula flutuante e pela cadência do relógio da máquina.
Se há sete anos um processador 286 cadenciado a 20 Mhz fazia as delícias do utilizador da micro informática mais exigente, hoje toda a máquina com cadências de relógio inferiores a 400 Mhz é olhada com comiseração. O principiante nesta área costuma fazer comparações com a cilindrada dos motores de automóveis e infere logicamente que cadência de relógio é igual a capacidade de processamento.
A dedução só é lógica numa parte da verdade. No caso específico destes sistemas a CPU, continuando embora a ser o «coração» da máquina, é visto como um componente de uma malha mais vasta de processadores paralelos, em particular, dos que equipam as placas de vídeo e de som. Assim, quando a máquina descomprime vídeo em tempo real o actor central desse processo não «reside» no microprocessador, mas na placa de vídeo digital. É um processador especializado em trabalhar com um algoritmo especial chamado DCT, que executa um grande número de multiplicações sobre unidades de 8 e de 32 bits. Assim também, o tratamento digital das unidades sonoras agrupadas em 16 bits, ou 32 bits é tarefa desempenhada por um outro processador alojado na placa de som, «especialista» no trabalho com os algoritmos de compressão e descompressão sonora.
Um computador dedicado à multimédia deve ser analisado como um conjunto estruturado de unidades cujas performances estão em estreita correlação. Na maior parte dos casos, os testes generalistas efectuados a estas máquinas não são fiáveis porque a média ponderada a que chegam não corresponde ao seu efectivo desempenho. Dir-se-à que a desempenho do seu elemento mais fraco (leitor de CD-ROM, placa de som, placa de vídeo, ou mesmo a unidade central de processamento) é a valência determinante do comportamento global da máquina.
Daí que se possa considerar errado adquirir um computador com o microprocessador mais potente do mercado sem, simultaneamente, se optimizar a capacidade da unidade de leitura de CD, e de processamento das placas gráfica, de vídeo e som digital, não esquecendo os «buses» a rede interna de auto-estradas por onde a informação tem de fluir, bem como a capacidade necessária para a armazenar e, eventualmente para a partilhar em sistema de rede.
Excerto extraído da obra Multimedia on / off-line, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.