Programas de Autor

A multimédia já dispõe de uma panóplia variada de sistemas de autor que facilitam a programação de aplicações. Esses sistemas foram concebidos com a finalidade de simplificar o trabalho tanto a programadores com formação curricular, como àqueles que se iniciaram nessas técnicas sabendo utilizar apenas as especificações que o programa de autor inclui. Neste último caso, a programação fica dependente das (in)capacidades individuais, pelo que a adopção de um critério de recorrência pontual a programadores externos com capacidade de desenvolverem a escrita de rotinas que não estão contempladas no programa de autor é condição essencial ao desenvolvimento de aplicações.

Neste campo, a estratégia definida no C.I.T.I. consistiu na aquisição de três sistemas de autor, dois para desenvolvimento de CD-i e um para CD-ROM, suficientemente flexíveis para admitirem próteses de rotinas geradas pelos programadores, ou adquiridas no exterior e que pudessem cumprir funcionalidades que inicialmente não estavam previstas na programação de base.A inclusão de programadores com formação curricular na equipa verficou-se a partir de 1996 para responderem a necessidades de construção de aplicações escrita em Java, para a Internet. Para lá das excepções já enunciadas, a regra indicia que tanto para o CD-ROM, como o para o CD-i já existem máquinas e programas de autor com a qualidade suficiente para permitir a criação de boas aplicações. O seu corpus é sedimentado nas linguagens de baixo nível que estruturam o modo de operação comuns às máquinas onde correm essas aplicações. As linguagens intérpretes facilitam o diálogo com o utilizador-programador e a recente integração da programação orientada por objectos veio simplificar mais os passos necessários à aglutinação de imagens, sons e textos constituintes da aplicação multimédia.

As primeiras aplicações multimédia foram domínio exclusivo de programadores muito experientes mas que demoravam muito tempo a fazer, dado que era necessário escrever a programação numa linguagem de baixo nível. Os programas de autor vieram modificar essa situação. Aqueles que ainda estão próximos dos conceitos básicos de programação são compostos por uma livraria de rotinas em linguagem C, pronta a ser utilizada. É uma ferramenta criada pelos mais experientes programadores e cria um ambiente confortável de desenvolvimento.

A maioria dos sistemas de autor utiliza um sistema hierarquizado de acções e funções. Manipula com facilidade as principais estruturas de informação usadas na programação. Tal facto evita a complexidade do desenvolvimento de uma aplicação, ao mesmo tempo que liberta os programadores de tarefas de escrita de rotinas em C, facto que pode potenciar a sua criatividade. Para programadores experimentados estas ferramentas são úteis, dado que têm como linguagem sedimentar o C e dispõem de versões utilizáveis em diversos sistemas operativos.

Os sistemas de autor para pessoas que não possuem esta formação curricular específica estão organizados segundo o princípio da «caixa de ferramentas» destinada a designers que desenvolvem aplicações. A interface de trabalho é do tipo gráfico, intuitivo. A lógica de todo o programa é passível de ser compreendida em poucos dias. Este tipo de programa é recomendado para o desenvolvimento de aplicações simples, dado que consiste na reunião de um conjunto de guiões ligados por um sistema de conexões que permite a interactividade. Cada guião pode conter um sistema de menus com destaque, sequências de imagem fixa, som, animações e sequências de imagem em movimento. Os menus contêm implícito o sistema interactivo, o destaque dado a cada um deles tem como função anunciar ao utilizador a presença de opções. O programa permite sincronizar sons com as imagens. Esta ferramenta é útil, dado que depois de gerar um script audiovisual, o designer pode, com o uso do rato, inserir os pontos rigorosos de sincronismo de som e imagem, enquanto assiste ao desenrolar da sequência audiovisual.

A interactividade é gerada a partir de comandos instalados nas ramificações do guião, despoletadas por temporizadores programados por variáveis. O controlo do sistema de ramificações é gerido pelos écrans de menus com respectivas áreas de opção.

Nas fases iniciais de um processo de produção complexa, mormente no momento da criação do protótipo interactivo e do desenho da interface é útil programar e testar a funcionalidade e o conjunto das atitudes comportamentais que a aplicação vai desempenhar. Antes das decisões finais sobre interface e interactividade serem tomadas e antes da produção se iniciar é muito importante tanto para o designer, como para o produtor, prever a versão final dos menus e das sequências audiovisuais mais importantes do disco.

A maioria dos programas de autor, ao simular o comportamento final da aplicação multimédia, permite essa previsão. Tal facilidade é tanto mais necessária quanto a cadeia de concepção e produção do CD-I e CD-ROM -essencialmente digital e de manipulação informatizada - exclui a previsão e análise crítica de imagens e sons encadeados dentro do seu habitat final: o monitor ou o televisor.

A existência de um gestor de ficheiros que permita visualizações e audições quase instantâneas é essencial à ergonomia do sistema, um vez que essas são operações de uso frequente nas fases de produção e conversão. A maioria dos sistemas de autor permite também a exportação de arquivos de texto ASCII para outros ambientes com rotinas de programação sobre coordenadas de écrans de menus, com informações das respectivas áreas de opção, scripts e ficheiros contendo os sincronismos de som e de imagem. Esta operação simples de transferência das rotinas de programação escritas em linguagem natural próxima de um inglês bárbaro tem ainda a virtude de permitir a correcção rápida dos bugs que invariavelmente ocorrem durante as escrita dos passos dos capítulos necessários à programação.

Excerto extraído da obra Multimedia de A a Z, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.