Som multimédia

O tratamento digital do som é um procedimento que se desenvolveu com o sucesso planetário do CD-Audio. Numa primeira fase, tratou-se de converter fonts sonoras que eram captadas com recurso a dispositivos analógicos. Hoje, os estúdios profissionais já estão quase todos equipados com meios 100% digitais. A plasticidade do som convertido em bit permite toda a espécie de manipulações, desde as mais simples às mais sofisticadas, daí que a adopção pelo mundo digital seja de regra tanto na indústria discográfica como na rádio.

No domínio das placas sonoras a evolução rápida também é regra. Começaram por permitir digitalizações de som com 8 bits a uma frequência de 22 kHz. A título de comparação, note-se que nos telefones a digitalização sobre 8 bits corresponde a uma frequência de 8 kHz e a frequência dos sons arquivados no CD Audio corresponde digitalização sobre 16 bits a uma frequência de 44.1kHz.

As modernas placas de som também já estão equipadas com microprocessador especializado, o DSP que permite obter valores semelhantes aos que se conseguem para o CD Audio. Porém, esta qualidade só é conseguida se o computador multimédia estiver equipado com um leitor de CD-ROM de velocidade tripla ou quádrupla, uma vez que o débito de informação sonora digital tem de fluir a velocidades superiores a 450 Kbytes/s, a fim de poder ser processada sem que os fenómenos de eco sejam perceptíveis. O processador DSP pode desempenhar este papel mas o risco de incompatibilidade destes componentes ainda é relevante.

A sofisticação dos componentes digitais só muito recentemente começou a ter equivalência nos aparelhos de restituição do som. Refiro-me às colunas que equipam a maioria dos computadores multimédia e dos televisores para o CD-i. São, na maioria dos casos, aparelhos que restituem de modo medíocre a qualidade sonora que algumas máquinas já disponibilizam. No caso dos PC's multimédia o elo mais fraco do sistema é invariavelmente o par de colunas que, ou estão integradas na caixa do computador, ou são adquiridas como acessório complementar, de fraca qualidade. Algumas excepções já acontecem no caso do CD-i sobretudo se o utilizador seguir as instruções do fabricante que aconselha ligar o sector audio da máquina à aparelhagem de alta fidelidade que, costuma estar próxima do televisor. Nesses casos, a fruição musical é potenciada de forma significativa dado que a qualidade dos 44,1 kHz pode ser apreciada em plenitude.

Excerto extraído da obra Multimedia on / off-line, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.