Teledifusão hertziana
Não existe uma única norma mundial para difundir programas de televisão. O PAL, o NTSC e o SECAM dominaram o panorama da televisão analógica e deseja-se que a normalização da televisão digital interactiva recorra finalmente apenas a um formato único, válido para todo o mundo.
O PAL (Phase Alternation line) é a norma em vigor na maioria dos países europeus. Conhece as variantes PAL A e PAL B, sendo esta última utilizada, por exemplo, no Brasil. O PAL PLUS é uma tentativa de reciclagem técnica através da aproximação ao formato de imagem tipo cinema que os modelos analógicos de televisão estão a fazer no sentido de contrariar o ascendente da televisão digital. Porém, o preço elevado dos televisores é ainda restrivo para a desejada massificação do sistema.
O NTSC (National Standarts Television Committee) vigora nos Estados Unidos da América e no Japão e é considerado como o que possui pior qualidade, daí que a sigla NTSC tenha sido caricaturada com o acrónimo (Never Twice the Same Color). Finalmente o SECAM é sistema de difusão que ficou restrito à França e a alguns países francófonos, em especial em África nas zonas de influência.gaulesa.
É curioso constatar que durante mais de vinte anos o acento tónico da investigação no campo televisivo foi colocado sobre a vertente tecnológica, em detrimento da perspectiva comunicacional. Este desalinhamento teve sérias consequências na evolução do conceito e do processo como a seguir se irá tentar demonstrar.
Desde 1972, data em que a tecnologia nipónica começou a formular hipóteses para melhorar a qualidade das emissões, definiu-se o objectivo de aproximar a imagem televisiva da qualidade da película cinematográfica. Este postulado orientou a pesquisa iniciada pelos japoneses desde 72. Em 1986, o Japão lançou o sistema Hi-Vision, no decorrer dos jogos olímpicos de Seoul, sem contudo conseguir entusiasmar os mercados nacional e internacional. O preço proibitivo dos novos televisores e a necessidade de substituição total do parque instalado contribuíram em boa parte para a falta de entusiasmo então demonstrado.
Em 1986, a Europa, receosa do domínio nipónico prestes a definir e consagrar a sua norma na altura apoiada pelos E.U.A., iniciou um processo de investigação concorrencial, fortemente subsidiado pela União Europeia, conducente à definição e implementação de uma norma de televisão de alta definição, que ficou conhecida pela sigla HD-MAC. Esta tentativa de normalização não impunha uma ruptura com o parque de receptores instalado mas a sua evolução modular. Durante os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em Albertville, no ano de 1992, o sistema foi lançado, para vir a ser abandonado um ano mais tarde.
A linha evolutiva que privilegiou a melhoria técnica do sistema de televisão analógica foi ainda no decorrer da década de 90 continuada pelos americanos. Contudo, e dado o avanço que a indústria norte-americana detém na área digital - e atendendo à proliferação de empresas no domínio da pesquisa de alto nível, que há muito investigavam a qualidade da imagem digital que equipa os computadores - foi esta região económica a primeira a compreender que a televisão analógica de alta definição implementada tanto por europeus, como por japoneses era um sistema nado-morto. Em menos de seis meses todos os projectos norte-americanos evoluíram do analógico para o digital, posição que a União Europeia contestou até final de 1992, data em que o primeiro ministro inglês John Major vetou a atribuição de mais uma fatia de 600 milhões de écus para continuar as pesquisas do sistema HD-MAC. Esta decisão política abreviou a agonia do sistema europeu de televisão de alta definição. Porém, só em 1993 a U.E. abandonou oficialmente as pesquisas para se dedicar à televisão digital, posição que os japoneses actualmente também adoptam
Excerto extraído da obra Multimedia on / off-line, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997.