O desenho interactivo de O Triunfo do Barroco criou uma barra de comandos bastante simplificada, quando comparada com a do disco de Lisboa. Esta barra, que o desenhador da interface decidiu colocar na vertical do lado direito no écran de menus, abdicou de ter barras de comando subordinadas. O conjunto de interacções que o utilizador decidir fazer durante o desenrolar das sequências realizam-se de forma simplificada, premindo um dos cursores do comando, ou é conseguida através de um conjunto de ícones incrustados na imagem e que aparecem em momentos específicos do desenrolar das sequências. A barra de comandos do menu principal apresenta um ícone para escolha da língua em que se deseja ouvir o audio (Português ou Inglês), um ícone que permite o acesso imediato ao menu principal, um outro que remete para a consulta alfabetada de todos os temas tratados no disco, e o que atrás se referiu para poder regressar ao ponto onde se iniciou a pesquisa. Completam os comandos disponíveis na barra o ícone da ajuda e o ícone para abandonar o programa.
A interface gráfica representou as grandes áreas temáticas de modo original. O menu principal é uma recriação electrónica da fachada principal do Palácio de Queluz. Ainda não foi nesta interface que se abandonaram as famigeradas janelas, comuns aos sistemas de gestão de dados no espaço. A fachada e as janelas do Palácio foram trabalhadas de molde a servirem a funcionalidade da interface gráfica. Nas janelas do primeiro andar integraram-se personagens representando a «vida na corte», o «rei» e o «clero», os três grandes temas genéricos que estruturam o conteúdo do disco. As janelas foram recriadas com portadas que ocultam as personagens. Estas portadas entreabrem-se no momento em que o cursor passa por sobre elas, de modo a indicar ao utilizador que está ali uma opção activa. No rés-do-chão a porta serve de entrada para o átrio onde se encontra um escaparate cenografado com as grandes opções temáticas: Brasil, presépios, azulejaria, música, coches e talha.
O terreno comum da representação possui sinais discretos só descodificáveis por pessoas com uma formação específica em História de Arte. A fachada principal do Palácio de Queluz foi trabalhada electronicamente e as personalidades escondidas por detrás das janelas têm como função dramática e dramatúrgica representar tipos sociais (clero, nobreza e corte). Nesta opção está também implícita uma abordagem ao tema que privilegia um discurso narrativo sobre a tipologia social que deu forma e conteúdo às expressões da arte barroca, em lugar da primazia dada a um artista individualmente considerado. A opção definida justifica-se por duas ordens de razões: em primeiro lugar Portugal não teve neste período personalidades artísticas que se singularizassem de forma significativa e notória; em segundo lugar a preocupação com o público-alvo (estudantes e professores interessados no estudo do fenómeno artístico) conduziu à criação de uma estrutura compósita em que a base de dados sobre o barroco intenta coexistir harmonicamente com a apresentação da tipologia social acima referida.
O trabalho sobre o desenho gráfico foi igualmente objecto de atenção especial, nomeadamente no módulo de hipertexto: o fundo sobre o qual se desenrolam os textos possui uma representação discreta de elementos conotados com a arquitectura barroca. Procurou-se que esta imagem não criasse ruídos susceptíveis de prejudicarem uma leitura difícil como é a leitura tabular realizada sobre um écran com definição pobre.
O aparente despojamento do desenho gráfico da interface deste disco obedeceu ao desejo expresso de não colidir com a riqueza luxuriante da eidografia característica da arte barroca. Exceptuando o fotograma de título do disco, não volta a aparecer na interface gráfica qualquer elemento alusivo ao barroco. Esta sobriedade assumida, se por um lado contrasta com a escola que se está a tratar, por outro marca claramente a opção da equipa: utilizar um modelo interactivo e de interface gráfica sóbrio e tão ergonómico quanto possível. Foi ainda intenção consensualmente aceite integrar uma apresentação audiovisual «superficial» que servisse como elemento motivador da pesquisa na base de dados, que contém cerca de cem páginas escritas por especialistas em História de Arte, com remissivas sistemáticas do tipo didascália.
O funcionamento do sistema de hipertexto que, no caso vertente, pode considerar-se hipermédia, dada a possibilidade de ligação dinâmica de palavras e expressões a segmentos audiovisuais, consubstancia o objectivo pedagógico-didáctico inicialmente definido. A aliança entre a sobriedade escolar no tratamento dos conteúdos, aliada ao modo espectacular como o vídeo e as sequências audiovisuais de imagens fixas sobre temas do Barroco, não foi obra do acaso, nem pura coincidência. Terá sido esse conjunto de características que levaram o júri de Barcelona a atribuir um prémio a O Triunfo do Barroco?