Windows

Patente registada pela Microsoft que define a interface gráfica e o sistema operativo dos computadores PC, muito embora o DOS (acrónimo de Disc Operating System) continue activo sob a interface gráfica. O termo Windows 95, ou 98  traduz um conceito já ensaiado em interfaces gráficas anteriores, muito embora a versão 98 registe melhorias significativas para todos os utilizadores que possuam máquinas acima do processador Pentium,  com mais de 32 Mega de RAM. Dadas as dimensões exíguas do écran, a abertura sobreposicionada de janelas permite activar em simultâneo vários programas para com eles se poder trabalhar, além de possibilitar a arrumação do espaço da forma que melhor facilite a relativa ergonomia disponível no espaço exíguo do monitor. Para os conhecedores é evidente a similitude de soluções encontradas com aquelas que o Macintosh há muito utiliza. Porém o modelo de metáforas continua a ser pouco satisfatório o que leva o respeitável guru dos sistemas multimédia Ted Nelson a escrever

«Consideremos a «metáfora da secretária», essa amálgama afixada no écran, que é, hoje em dia, consensualmente aceite como útil. (...) Porque é que apelidam esta curiosa misturada de secretária? Ela não parece uma secretária; é necessário ensinar ao principiante de que modo é que ela parece ser uma secretária, dado que poderia ser igualmente apelidada de guarda vestidos, ou muro com inscrições. O utilizador é confrontado com uma área cinzenta ou colorida com pequenos ícones. Estes ícones representam arquivos, programas, directorias de disco. (...) Somos levados a acreditar que isto é uma «metáfora» de uma «secretária». Mas pessoalmente nunca vi uma secretária em que ao apontar-se para uma folha de papel esta salte para o seu rebordo superior, ou em que ao colocar uma folha de papel na ponta de um dossier este a engula. Não acredito que exista uma secretária deste tipo e, se ela existisse, decerto não a desejaria possuir». Theodor Holm Nelson- "The Right Way to Think about Software Design". in Art of Human Computer Interface Massachussets, Addison Wesley, 1990,.pp. 236- 237.

O ponto de vista de Ted Nelson põe em causa a fundamentação metafórica das interfaces com que trabalhamos diariamente nas máquinas que dominam o mercado mundial. Tanto o Macintosh, como o Personal Computer, assentam os seus sistemas operativos sobre um modelo metafórico de interface, cuja representação do «escritório» pressupõe que o utilizador esteja naturalmente capacitado para descodificar a esfera semântica que se esconde por detrás de representações como o cesto dos papéis, a tesoura, o pincel, a lupa, o arquivo, etc,. Muito embora este modelo de interface seja considerado como um avanço significativo, quando comparado com a interface atrás mencionada do DOS em que o écran negro tinha a enigmática representação C:\, ainda assim o modelo está longe de se considerar satisfatório.

A interface gráfica Windows 98 representa uma melhoria significativa em relação aos seus antecessores Windows, 3.x, Windows for Workgroups e Windows NT. O sistema operativo está preparado para correr aplicações em 32 bits e após a migração de boa parte do software para a nova interface gráfica considera-se que a Microsoft ganhou mais uma batalha na guerra pelo domínio mundial da indústria de software.

Excerto extraído da obra Multimedia de A a Z, de Carlos Correia, Ed. Notícias, Lisboa, 1997